Novak Djokovic encerrou qualquer dúvida sobre quem é o maior vencedor da história do tênis masculino, mas sua trajetória também virou estudo de caso sobre como transformar domínio esportivo em poder financeiro duradouro. O sérvio, dono de 24 títulos de Grand Slam, uma medalha de ouro olímpica e recorde de 428 semanas como número 1 do mundo, acumula hoje um patrimônio estimado em US$ 240 milhões, construído tanto em quadra quanto fora dela.
Da rivalidade com Federer e Nadal ao topo histórico
Durante boa parte de sua carreira, Djokovic dividiu os holofotes com Roger Federer e Rafael Nadal no celebrado "Big Three", trio que redefiniu os padrões competitivos do tênis masculino neste século. Com o tempo, o sérvio ultrapassou os dois rivais em títulos de Grand Slam e se tornou o maior ganhador de premiação em dinheiro da história do esporte. Seus dez títulos no Australian Open, sete em Wimbledon, quatro no US Open e três em Roland Garros o tornaram o primeiro homem a vencer cada major ao menos três vezes - e também o primeiro a conquistar os nove torneios Masters 1000 do circuito ATP, façanha que comprova sua capacidade de dominar em qualquer tipo de piso.
A lista de conquistas inclui ainda oito temporadas encerradas como número 1 do ranking, sete títulos do ATP Finals e a conquista da Copa Davis pela Sérvia em 2010. Em 2024, nos Jogos Olímpicos de Paris, Djokovic completou o chamado Golden Slam de carreira ao vencer o ouro no individual masculino - um troféu que havia escapado de suas mãos em edições anteriores e que preenchia uma das últimas lacunas em seu currículo.
Prêmios em quadra: uma escalada constante
Djokovic tem repetidamente elevado os patamares de ganhos do tênis. Em 2011, tornou-se o primeiro tenista a superar US$ 12 milhões em premiação numa única temporada. Em 2015, ano de uma de suas campanhas mais completas, o balanço oficial da ATP apontou US$ 21.646.145, incluindo bônus do circuito.
Em 2016, ele se tornou o primeiro jogador da história a ultrapassar US$ 100 milhões em premiação acumulada de carreira. Esse total passou de US$ 133 milhões em 2019 e de US$ 150 milhões após o título de Wimbledon em 2021, chegando a mais de US$ 170 milhões em 2023. Ao fim de Wimbledon de 2024, a soma já superava US$ 184 milhões. O balanço da ATP para 2025 fechou em US$ 191.252.375, e, em agosto de 2026, o valor publicado pela entidade já passava de US$ 194 milhões - números que não incluem patrocínios nem boa parte de sua atividade comercial.
Patrocínios, negócios e uma marca global
A renda combinada de Djokovic costuma superar com folga seus ganhos em quadra. Ele faturou US$ 24 milhões entre junho de 2017 e junho de 2018, US$ 50 milhões no período seguinte e US$ 45 milhões no ciclo posterior, segundo levantamentos de mercado. No ranking de 2026 da Forbes sobre ganhos no tênis, sua renda em doze meses foi estimada em US$ 30,2 milhões antes de impostos e comissões - sendo US$ 25 milhões provenientes de atividades fora de quadra e US$ 5,2 milhões de premiações e participações no circuito.
Sua história com marcas de vestuário passou por Adidas, Sergio Tacchini, Uniqlo e Lacoste. O vínculo com a Adidas terminou em 2009, quando a marca decidiu investir em Andy Murray. Depois de um período com a Sergio Tacchini, Djokovic assinou com a Uniqlo em 2012, contrato de cinco anos avaliado em cerca de €8 milhões anuais, que o tornou embaixador global da varejista japonesa. Em 2017, migrou para a Lacoste, que passou a desenvolver uniformes e campanhas específicas para ele.
Outras parcerias comerciais incluem Head, Asics, Seiko, Mercedes-Benz e Hublot, além de acordos mais recentes nas áreas de viagens e bem-estar com Qatar Airways, Aman e Joe & The Juice. Djokovic também passou a investir diretamente em negócios: em agosto de 2025, a empresa de vestuário de recuperação Incrediwear anunciou que ele havia adquirido participação relevante na companhia e se tornaria embaixador global da marca, sem detalhar valores. Em junho de 2026, ele assumiu o papel de conselheiro estratégico global da gestora General Atlantic, atuando junto à liderança da empresa e a investidores - uma função consultiva, e não uma posição de propriedade sobre os ativos da gestora.
Da infância em Belgrado ao Golden Slam
Nascido em 22 de maio de 1987 em Belgrado, então parte da Iugoslávia, Djokovic começou a jogar tênis aos quatro anos e, aos seis, já treinava com Jelena Genčić, técnica que também havia trabalhado com Monica Seles. Aos 12 anos, mudou-se para a academia de Nikola Pilić, na Alemanha, com apoio financeiro da família. Profissionalizou-se em 2003 e estreou em Grand Slams no Australian Open de 2005.
A trajetória seguiu com o primeiro major em 2008, a ascensão ao número 1 em 2011 e temporadas de domínio quase absoluto, incluindo o Grand Slam não-calendário entre Wimbledon de 2015 e Roland Garros de 2016. Após lesões no cotovelo e no joelho ao longo da carreira, Djokovic sempre voltou ao mais alto nível, somando seu 100º título em nível de circuito em Genebra, em 2025, e o 102º em Pequim, em 2026 - números que reforçam por que, aos quase 39 anos, ele segue como uma das figuras mais influentes, dentro e fora das quadras, no esporte mundial.